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História da Capela do Santuário

Geralmente, na história das aparições marianas reconhecidas pela Igreja, surge uma capela a pedido ou não da Virgem Maria. No caso das aparições de Cimbres, no primeiro momento, Nossa Senhora rejeita a construção de uma capela (aparição do dia 20 de agosto) questionada pelo Pe. Kehrle. Depois, ela solicita em modo explicito a capela proposta anteriormente (cf. aparição dos dias 1 e 16 de setembro de 1936).

A história da Capela do Santuário é registrada pelo Pe. José Kehrle no seu Manuscrito datilografado:

* Decima sétima Aparição, no mesmo dia 20/08.

Do «Manuscrito» do Pe. José Kehrle, p. 2s.

 [64] Quer que se faça uma Capela? «Não».

[65] Mais tarde será bom fazer uma capelinha? Deu um sinal com a mão como se não quisesse dizer.

* Vigésima terceira Aparição, 01/09/1936 (3ª feira).

Do «Manuscrito» do Pe. José Kehrle, p. 16.

1º de setembro dia depois da aparição [solene 31 de agosto]

Pela manhã recebi uma carta de Maria da Luz nos seguintes termos:

Abençoe-me.

É com o coração cheio de alegria que vos dou mais algumas notícias. Perguntei a Nossa Senhora se os Padres estavam abençoados por Jesus Cristo e ela me disse que só 5 pessoas e os dois padres que vieram estavam abençoados por seu filho, mas que ela tinha abençoado a todos… disse ainda que rezássemos muito e avisássemos ao povo para rezar por causa do Comunismo; que o senhor não se esquecesse da gruta dela, pois Jesus Cristo ficará abençoando; que fizesse uma capelinha no lugar e se colocasse uma imagem igual a ela; que só ia embora quando o Padre Marques viesse.

* Vigésima sétima Aparição, 16/09/1936 (4ª-feira).

Do «Manuscrito mimeografado» das Irmãs Damas, p. 28-29.

No dia 17 de setembro, esteve comigo o Sr. Arthur Teixeira, pai de Maria da Luz, e me declarou que: “Ontem [16/09], às 3 horas da tarde, mais ou menos, estavam as meninas em casa, de onde viram Nossa Senhora chegar. Foram logo ao lugar e Nossa Senhora então tinha dito às meninas que voltou para avisar que ela não queria que gente que usa certas modas fosse visitar o seu lugar. Que dissesse que não se deveria usar manga curta, unhas pintadas, vestidos curtos e ligados. Enfim, nenhuma moda. Que fizesse um cercado em volta do lugar para que só pessoas boas pudessem visitá-la e que fizessem sua capelinha que ela tinha pedido. Que Maria da Luz não fosse a Pesqueira porque não era necessário e que, mais adiante, ela – Nossa Senhora – havia de demonstrar a realidade de tudo. Que não se importasse com a ordem de Pe. Marques, porque ele já estava falando muito, e não estava acreditando”.

Comentário teológico e espiritual

Por três vezes, nas aparições de Cimbres, o desejo de se construir uma capela no local das aparições se apresenta; no primeiro pedido, a Virgem rejeita, pois ainda não era o momento de se preocupar com tal construção; em outros dois momentos, como vimos, ela mesmo faz o pedido.

Notemos que o pedido é de uma «capelinha» e não uma «igreja», onde se supõe que dizendo “igreja” seja algo maior. A capelinha não exclui outra possibilidade de algo maior no futuro. A capela pedida, devemos prestar bastante atenção, pois não está voltada para só o uso devocional ou direcionado à piedade mariana. Isso pode acontecer, mas não é o primordial. Quando Nossa Senhora pede uma capela, como o fez nos diversos outros lugares que apareceu na história da Igreja, Ela está direcionando o seu pedido a algo maior. Ela está falando da vida Sacramental da Igreja, o ápice da vida do cristão católico. Não se concebe uma capela ou igreja que não se preste para a Catequese/o Ensino/Evangelização e, se celebre os principais Sacramentos, como o Batismo, a Crisma, a Confissão, a Eucaristia e o Matrimônio. Geralmente, os Sacramentos são celebrados em um recinto sacro e poucas vezes ao ar livre. A capela pedida pela Virgem tem esta função, dar ênfase ao Celebrante principal que é Cristo e à graça conferida pelos Sacramentos, principalmente a dois: o Sacramento da Reconciliação e o da Eucaristia, imprescindíveis à salvação.

Toda a mensagem no Sítio Guarda é para conversão e salvação dos brasileiros e a todos os que querem aderir ao chamado de Maria Santíssima, mediante a conversão, a oração e a penitência.

Se prestarmos atenção na narração ingênua do Pe. Kehrle, Maria da Luz intui o desejo da Senhora das Graças e, na simplicidade, catequiza e prepara crianças e adultos para o altar do Senhor. Este será o estado profético do seu futuro como religiosa da Congregação Damas da Instrução Cristã em Recife, tão insistido por Nossa Senhora.

As mariofanias de Cimbres se concentram na história humana com tonalidades espirituais para construir uma vida em Deus. O local das mariofanias no Sítio Guarda, em Pernambuco, propõe já aqui na terra o futuro celeste com todos os seus métodos espirituais.

***

No entanto, o desejo de Nossa Senhora foi frustrado pela incompreensão e maledicência do pároco, Pe. Manuel Marques, que deu ouvidos às fofocas. O empenho histórico-teológico não foi a preocupação das autoridades eclesiásticas que, sem nenhuma ponderação pastoral, limitou-se a ouvir pessoas despreparadas espiritual e teologicamente para o assunto. Mas, estas maledicências também foram alimentadas pela imprensa que estavam alinhados com alguns membros do clero ou ainda, de tendência anticlerical, inflamavam os ânimos.

Parece-nos que, por motivo de prudência diante de tantas adversidades, o Pe. José Kehrle não ousa dar ao local de oração o nome de “capela” e, sim, casinha de oração. Ele ergue com seus próprios custos e que também ficará conhecido como Salão para aulas de catequese. Contudo, a genialidade do sacerdote faz com que o espaço seja aproveitado para outra finalidade, a evangelização. Assim, tornou-se um “Salão” para as aulas de Catequese de Maria da Luz para preparar cerca de cem pessoas à mesa do Senhor.

Manuscrito datilografado do Pe. José Kehrle 1938, p.

O Natal de Maria da Luz foi triste, porém, ela se conformou. Foi feita uma casinha de oração bem em frente ao monte do Guarda, onde Maria da Luz abriu uma escola de catecismo para meninos e meninas e à noite para adultos. Com poucos meses, ela levou cento e tantas pessoas ao banquete da Eucaristia. Ela veio visitar-me em Pedra e lhe dei a fita como zeladora do Sagrado Coração de Jesus.

Sabendo o vigário da freguesia que havia no Guarda uma casinha de oração, começou a falar nas práticas e reuniões contra o povo e principalmente contra a família do Arthur Teixeira …

Outra menção da casa de oração ser uma “escola” é quando o Pe. José Kehrle comunica a chegada das imagens solicitadas do Rio Grande do Sul. Vejamos:

Manuscrito datilografado do Pe. José Kehrle de 1938, p. 38.

Chegou, entretanto, a imagem de Nossa Senhora das Graças que mandei confeccionar em Porto Alegre conforme o desenho dado por Maria da Luz. A fim de consolá-la, mandei a imagem com a ordem de colocá-la apenas na escola.

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Eu sou a Graça
As Aparições de Nossa Senhora no Sítio Guarda, Pesqueira-PE.

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